Capítulo 1 – as Infâncias de Tristão
Há muito tempo,
Marc, rei das Cornualhas, estava em guerra contra seus inimigos. Ao saber
disso, Rivalém, rei de Loonnois, cruzou o mar para ajudá-lo. Serviu tão bem
que, como recompensa, Marc deu-lhe a Mão de sua irmã, Blanchefleur, a qual Rivalém
amava com um amor maravilhoso.
Quando se casaram,
chegou a noticia de que um duque arruinara seu reinado de Loonnois. Sendo assim,
Rivalém logo partiu para a luta, levando sua mulher que, a essa altura, já estava
grávida.
Acontece que o rei
acabou morrendo em luta e deixando Blanchefleur sozinha com o filho para criar.
Não aguentando a dor, a mulher apenas esperou a criança nascer, batizou-o de
Tristão, pois havia nascido em uma situação triste, e morreu com a criança no
colo, sem fazer nenhum som. Rohalt, o ex-servo da família, assumiu o recém-nascido
como seu próprio filho e o criou, ensinando as artes da caça, da harpa e tudo o
mais que um nobre deveria saber. O menino cresceu e ganhou braços fortes,
ombros largos e um corpo admirável.
Eis que, quando Tristão ainda
vivia sua juventude, mercadores o sequestraram e navegaram com ele como
prisioneiro por oito dias e oito noites com mares agitados. Como as águas não se
acalmavam, os marinheiros acharam que o ocorrido seria uma punição de Deus por
terem raptado o jovem. Decidiram então o soltar e, assim que isso aconteceu, o
mar se acalmou e o céu se abril.
As águas levaram Tristão para uma praia do
reino das Cornualhas. Lá ele encontrou caçadores. Ajudou-os a cortar a carne e
separar as partes boas das ruins. Admirados com a habilidade do menino, os
caçadores o levaram para o castelo do rei, que, após ouvi-lo tocando sua harpa,
aceitou-o como cavaleiro e prometeu que, se assim fosse sua vontade, o
mandariam levar para a sua terra natal.
Tristão ficou no reino
de Marc durante três anos até que, certa vez, pelo acaso, Rohalt o reencontrou
e contou ao rei das Cornualhas e ao próprio “filho”, sobre seu nascimento e
seus pais.
O Cavaleiro, ao saber da
morte de seu pai, cruzou os mares em direção a Loonnois, matou o assassino de
Rivalém e reconquistou seu reinado. Pensando que Marc sentiria sua falta, Tristão,
então, deu suas terras recém-conquistadas a Rohalt e voltou ao reino das
Cornualhas para servir como cavaleiro a seu rei.
Capítulo 2 – O Morholt da Irlanda
Após reconquistar Loonnois e entrega-lo a Rohalt, Tristão
volta para a terra de Marc. Lá, encontra irlandeses que, por um tratado poderiam
arrecadar, no primeiro ano, trezentas libras de cobre, no segundo ano,
trezentas libras de prata e, no terceiro ano, trezentas libras de ouro. Como as
Cornualhas, ha muitos anos, já não pagavam as taxas, os irlandeses resolveram
levar trezentos moços e trezentas moças com a idade de quinze anos. Para
recolher os jovens, os foi enviado um cavaleiro gigante chamado Morholt.
Morholt pergunta aos barões se estes queriam provar, por
combate, que o rei irlandês não tinha o direito de cobrar tal taxa. Nenhum
concordava, porém, com medo de perder a batalha para o gigante, nenhum se
dispõe a lutar.
Na terceira vez que o combate lhes é proposto, Tristão se
oferece para a batalha. Ele e o cavaleiro irlandês vão para uma ilha para
travar o combate. Durante a luta, o representante da cornualha é ferido pela a
espada envenenada de Morholt, porém, ao fim, o mata e, acidentalmente, quebra
uma parte de sua espada, que fica encravada no crânio do falecido.
Envenenado da luta, Tristão volta para o reino do rei
Marc. Enfraquecido pelo veneno e com suas feridas exalando um terrível odor,
ele é deixado em uma pequena cabana na praia, onde é cuidado pelo rei, por
Gorvenal e por Dinas de Lidan. Prevendo a morte, o cavaleiro pede para ser
posto em uma barca e lançado ao mar.
Sete dias depois, Tristão é encontrado por pescadores e é
levado para o castelo, onde Isolda, a loira, curandeira, filha do rei e
sobrinha de Morholt (que desejava a morte a quem matou seu tio), sem reconhecer
o homem envenenado, cuida deste, até que ele fique bom.
Após quarenta dias sendo cuidado por Isolda, percebendo
que seus traços naturais estavam voltando, Tristão resolve fugir para as
cornualhas e, após passar por vários perigos, um dia reaparece diante do rei
Marc.